Evermonte Executive Search | O silêncio da diversidade no topo das empresas
Nos últimos anos, a diversidade tem sido um tema quente no mundo corporativo. Empresas divulgam relatórios, promovem treinamentos e incluem a pauta em campanhas de marketing. Mas quando olhamos para o topo da hierarquia, a história é outra.
A diversidade parece perder força à medida que subimos os degraus do organograma. E os dados mais recentes revelam um cenário ainda mais preocupante: em uma pesquisa do Evermonte Institute, diversidade e inclusão ficaram em último lugar na lista de prioridades na agenda dos executivos para este ano. Não por resistência ao tema, mas porque perderam espaço para outras pautas consideradas mais urgentes no contexto atual.
Gráfico 1: Quais tendências terão maior impacto para 2025?

Por que a diversidade perdeu espaço na agenda corporativa?
Tanto nas tendências quanto nos desafios identificados pelos executivos para 2025, o tema diversidade perdeu força em comparação com anos anteriores. Isso acontece, principalmente, pela entrada de novas prioridades na agenda de negócios. À medida que inteligência artificial e transformação digital ganham força, as áreas de diversidade e inclusão perdem espaço no orçamento.
Algumas empresas (e aqui, casos que vivenciamos de perto) que haviam criado áreas dedicadas à Diversidade ou ESG, passaram a incorporá-las em outras frentes. A justificativa muitas vezes é financeira: os impactos dessas áreas nem sempre são fáceis de mensurar, o que dificulta sua defesa em reuniões de orçamento.
Executivos também relatam que a diversidade, em certos contextos, virou uma buzzword corporativa — associada a ações superficiais e pouco impactantes. Sem métricas claras de retorno, em momentos de pressão por resultados, ela tende a ser vista como secundária ou até dispensável. Isso não significa que seja irrelevante — mas a ausência de dados tangíveis pode reforçar a falta de investimento.
Outro fator é a percepção empírica de que “a missão foi cumprida”. Muitas empresas que começaram a investir em diversidade há poucos anos sentem que já fizeram sua parte, sem estruturar um plano de longo prazo. Com isso, a pauta vai perdendo tração, especialmente diante da pressão por indicadores de curto prazo e da falta de accountability.
Também entra aqui uma mudança no comportamento do mercado. Enquanto algumas empresas realmente se engajaram na causa, outras surfaram na onda da visibilidade. Com a queda no “hype”, a prioridade muda.
A falta de diversidade no topo das organizações não é apenas um reflexo do mercado, mas do que as empresas escolhem priorizar. Quando o tema sai da pauta executiva, ele perde força nos demais níveis. Iniciativas bem-intencionadas viram apenas ações pontuais, e a inclusão deixa de ser um compromisso contínuo para virar uma obrigação de marketing.
Você também pode se interessar por: 6 vantagens da contratação de lideranças interculturais
A diversidade não desapareceu das empresas — mas perdeu espaço para outros desafios que, hoje, dominam o foco executivo. Isso não pode significar o abandono do tema. A inclusão precisa ser parte da construção de empresas mais preparadas para o futuro, e não apenas uma pauta conveniente.
Criar programas estruturados de desenvolvimento de lideranças diversas, estabelecer metas mensuráveis e tornar processos mais transparentes são passos essenciais para que a inclusão seja real. Mais do que isso, ela precisa fazer parte da cultura da empresa, refletida nas decisões estratégicas e no dia a dia das lideranças.
O silêncio da diversidade no topo das empresas também foi uma escolha da sua organização? O que você, executivo, está fazendo para mudar esse cenário? Compartilhe suas experiências nos comentários.
Faça o download do Leadership Outlook e fique por dentro das tendências e desafios que fazem parte da agenda executiva de 2025.