Olá, meu nome é Andiara, tenho 43 anos bem vividos e sou mãe da Olivia e da Catarina. Nesse Dia das Mães especial, eu comemoro a entrada no que eu chamo de a minha quarta fase de carreira: a de conselheira de administração. Depois de ter sido empreendedora digital, investidora e executiva de empresa tradicional, passo a atuar quase que exclusivamente em conselhos. Mas o que isso tem a ver com maternidade ou esse Dia das Mães? Tem e muito. Para além de todos os clichês, é em tempos de grandes mudanças que podemos usar todos os recursos que desenvolvemos ao longo dos anos, especialmente os aprendidos na arte de gestar.

Eu comecei minha carreira na década de 90, no início do desenvolvimento do mercado digital, como empreendedora. Tinha ganas de construir caminhos que não existiam e desbravar as novas fronteiras. Fundei algumas empresas, entre elas o Grupo Bolsa de Mulher, que fez bastante sucesso no meio dos anos 2000. Virei CEO aos 26 anos, sem nenhuma experiência e com dezenas de pessoas para liderar escritórios no Rio e em São Paulo. A empresa era a minha vida, a minha filha, o que me mantinha acordada de madrugada e me fazia vibrar nas apresentações de final de ano. Naquela época, eu tinha muitas mulheres mães na equipe e tínhamos a enorme preocupação de que a empresa fosse um lugar feliz para onde elas sempre quisessem voltar. Mas eu não tinha ideia do que era dividir meu tempo com qualquer outra coisa além do meu trabalho. E fui profundamente feliz por muitos anos.

Depois de vendermos a empresa, iniciei minha segunda fase, atuando como investidora de venture capital junto com o Grupo RBS. Criamos um veículo de investimento em empresas de tecnologia e eu era a responsável pela estratégia de investimento, desenvolvimento e profissionalização das empresas e todo o ciclo de investimento e desinvestimento. Assim como no ciclo anterior, eu era apaixonada pelo que eu fazia, intensa, trabalhava todas as horas do dia. Mas nessa época eu já começava a ter uma nova visão das minhas vocações, competências e o que era necessário para gerar valor.

No final de 2014, depois de muitos anos trabalhando apenas com digital e tecnologia, recebi o maravilhoso convite de ir ser executiva de um grupo tradicional que foi o Grupo RBS, onde fiquei como Vice-Presidente Executiva e responsável pela transformação até o final de 2021. O mais interessante é que fui convidada para a posição quando estava aos 8 meses de gravidez da minha primeira filha, a Olivia. Não era apenas mudar completamente de trabalho, sair do digital e ir para o tradicional, ou mudar de estado e cidade. Era principalmente iniciar uma nova fase em que eu aprenderia a ser mãe não apenas de um CNPJ, mas de um CPF pequenino e desafiador, que me ensinaria novas maneiras de gerir, de cuidar e de entender a nossa enorme responsabilidade como líderes que impactam a vida de tanta gente.

Foi a maternidade da Olivia e da Catarina que me abriu os olhos para a enorme necessidade de construirmos empresas generosas, verdadeiras, acolhedoras, que genuinamente possam impactar positivamente a vida dos seus stakeholders com uma capacidade de aprendizado e reinvenção constante. Como na frase de Kahlil Gibran que diz “work is love made visible”, para transformarmos e impactarmos, é preciso muito investimento de amor e não tenho dúvida de que a maternidade/paternidade é uma belíssima ferramenta para esse desenvolvimento. Faz todo o sentido o atual movimento de profissionais adicionarem seus filhos nos seus currículos e trajetórias de carreira no LinkedIn. Homens e mulheres. No entanto, não podemos nos esquecer nem por um minuto o quanto é desafiador para as mulheres viverem e equilibrarem seu trabalho e sua vida familiar. Em parte, pelos modelos de trabalho pouco evoluídos, em outra pela ausência de novos modelos de lideranças femininas que mostrem novos caminhos possíveis para geração de valor, além do clássico 9-5.

A pandemia me fez olhar para os modelos de trabalho de maneira muito diferente. Ela me tirou do escritório, me fez participar das rotinas domésticas de um modo que jamais seria possível antes. A pandemia também derrubou as fronteiras do mundo do trabalho e mostrou que, especialmente em tempos de crise, cuidar da gente e dos outros é prioridade absoluta. A vida ficou curta demais para o trabalho errado e o papel dos líderes mudou radicalmente. Voltar ao antigo normal, sem refletir profundamente sobre tudo o que achávamos que sabíamos sobre cultura, pessoas e o jeito de fazer as coisas é desperdiçar uma oportunidade absolutamente única. Se essa é uma verdade que vale para a vida profissional, também vale para a vida pessoal. E foi essa a reflexão que me impulsionou a dar um novo passo na carreira, tentando aproveitar todos esses aprendizados de dias difíceis.

Essa bagagem de ter estado em muitos lugares da mesa e ter podido contribuir tanto com empresas tradicionais quanto com startups em crescimento, me abriu as portas para iniciar uma nova fase como conselheira de grandes empresas. Hoje, além do Sicredi, sou Vice-presidente do Conselho do Grupo Melhoramentos e conselheira de diversas outras empresas na América Latina. Mas por que dar um tempo de uma vida executiva no momento mais quente do mercado? Muitos me perguntam. Porque não precisamos mais pensar nas nossas carreiras de maneira linear e podemos explorar cada vez mais maneiras diferentes de gerar muito valor para as empresas e pessoas, sem reproduzir antigos padrões. Essas novas maneiras hoje me permitem ajudar mais empresas a se transformarem ao mesmo tempo, me permite aproveitar minhas filhas de maneira impensável antes e principalmente me permitem não parar de evoluir nunca, aproveitando cada nova lição que essas experiências trazem.

Não é possível realizar transformação – digital, ESG, de propósitos – ou produzir inovação sem abrirmos todas as portas e janelas, colocarmos luz sobre o que precisa mudar e sermos curiosos para questionar antigas premissas e criar novas maneiras de gerar valor. Na maternidade ou nas jornadas de transformação empresariais, precisamos ser eternos aprendizes.

Andiara Petterle – Conselheira e Investidora

Andiara Petterle é conselheira, executiva, investidora e empreendedora digital, atualmente atua no conselho de administração de várias empresas no Brasil. Vem liderando companhias digitais, de mídia, tecnologia e venture capital nos últimos mais de 20 anos. É CEO da empresa de investimento de impacto Kyrie Capital LLC.

Ex-Vice-Presidente Executiva do Grupo RBS, CEO da Predicta e Ex-Diretora Executiva de Estratégia e Gestão de Portfólio da Ebricks Capital. Foi fundadora e CEO do Grupo Bolsa de Mulher – maior grupo de mídia digital feminino do Brasil. É doutoranda na Business School Lausanne e tem especialização em transformação digital pela Stanford University School of Engineering e Certificado em Sustainable Capitalism and ESG by Berkeley Law. Também estudou na Stanford Business School e na Harvard Business School.


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